Sábado e Domingo são dias de descanso, né? Mentira. Pelo menos no meu caso, tenho trabalhado muito mais nos fins de semana do que durante os dias úteis (se meu chefe ler isso vai tratar de aumentar o serviço durante a semana). E hoje, eu estou comemorando (sem festa e sem presentes, claro) 15 anos fazendo o mesmo trabalho. Em empresas diferentes, mas o mesmo trabalho.
Estou sempre tentando melhorar, o que não é lá grande coisa, pois qualquer coisa é melhor com o tempo. Especialmente vinho. E eu sou como vinho... Mas um pouco e viro vinagre. Assim como este post, eu tenho me tornado meio azedo ultimamente. Vendo a molecada começando a trabalhar no mesmo serviço que eu, mas sem os sofrimentos que eu tive para conseguir. E sim, eu sofri bastante, porque assim como na faculdade os veteranos fazem trotes com calouro e dizem que é por tradição, mas na verdade é só pra se vingarem dos trotes que levaram, no meu emprego foi a mesma coisa.
Quando comecei no rádio, tinha que obedecer os mais velhos de carreira (e de idade), tinha que fazer vários trabalhos que pareciam ser simples, mas que me eram oferecidos porque os outros estavam com preguiça. Algumas vezes, e isso aconteceu comigo e com outros que começaram na época (estou parecendo muito mais velho escrevendo isso), os locutores mais velhos nos faziam buscar caixas de equipamentos pesadas e que no fim, eram tijolos ou pedras. Nos faziam passar vergonha em lojas de equipamentos eletrônicos pedindo réguas de medir frequência ou coisas assim.
Hoje, dia 30 de Janeiro, completam-se 15 anos de minha vida radiodifusora. Já trabalhei em algumas rádios, não muitas, pois como alguns patrões já me disseram e eu concordo, "de que vale ter 40 rádios na certeira de trabalho, se na maioria delas ficou apenas um mês ou menos?" Já trabalhei com muita gente, pelo menos uns 100 locutores. Ótimos, bons, regulares, ruins, péssimos e com o "Mestre". Resolvi neste post fazer uma pequena homenagem citando o maior número possível que eu conseguir me lembrar, com certeza alguns vão ficar de fora, mas tudo bem, pois praticamente nenhum deles lê esse blog mesmo. Vou começar a lista de trás pra frente, ou seja, dos que trabalham comigo hoje em dia, pois é mais fácil lembrar, até os que já trabalharam comigo lá no meu início de carreira (carreira??? heuheuheuheuheu).
Tato Mansur (o ser mais tranquilo do mundo),
Juliana Cristina,
Maycon Candeo (o DJ),
Little John,
Osiris Banks (o conhecedor),
Silmar Golanóski (o ex-vereador),
Wilson Wiese (o inteligente),
Alcione Machado (o ícone do esporte),
Maurício Nascimento (o... er... o... Maurício Nascimento),
Chico Mineiro (é loucura do Chico),
Joselito Biluka (Reportero 98),
André Selevi,
Geasy da Costa (o Geco),
Costa Junior (o crentim),
Ivan Marcelo (o dianho),
Maxwell Andrade,
Miguelito (o Mestre),
Jamile Bravo (brava é pouco),
Adriana Nascimento,
Edcarlos Pereira (o "modesto"),
Ezequiel Dias (que deve estar zuando muito lá no céu),
Adilson Neto (o figurão),
Neguinho de Juranda,
Luis Carlos Carraro (o... melhor nem dizer),
Lins Meyer,
Moacir Santarosa,
Moah,
Edson Dolinski,
Fábio Diniz (deus 01),
Ulisses Anderson (deus 02),
Ailton José (o garotinho),
Edson Prado,
Marcio Lima,
Johnny Maycon (orgulho do tio... rs),
Val Newman (um dos dois primeiros professores que tive no rádio),
Irã Guerra Phylho (um dos dois primeiros professores que tive no rádio),
Marisa Marques,
Alessandra Gonçalves (a loucutora),
Marcos Rosek (o blevers),
Marcos Baggio (o outro blevers),
Duarte Xavier,
Sandra Dani,
The Chagas (o inenarrável),
Renatinho,
Anne,
Rita,
Luisinho,
Dalmo Henrique (o parceiro),
Denilson Araújo,
Mari (melhor chefe que já tive na vida),
Rudson Webber (segundo melhor chefe que já tive),
Beto Gil (o rebelde),
Gilbertinho,
Gilberto Monteiro (o cara),
Cidinho Alves,
Simone Leal (a gos... ops, minha senhora lê isso),
Fabio Ribeiro (o secreto),
Lúcio Ferrari (o coeião).
Alguns destes locutores usam apelidos (nomes artísticos, heueuheue) e já mudaram de nome algumas vezes. Eu, quando iniciei nesta vida, também tive um "nome artístico". ThunderJohnny... Eca! depois, foi só Johnny, depois Johnny Gomes, até que consegui usar meu próprio nome, Gilmar Gomes... Depois disso eu mesmo me esculhambei passando a ser o "vulgo" Gilgomex!!! Durante meu tempo nessa profissão, eu já criei 3 personagens totalmente diferentes, mas que tinham as vozes idênticas. Já escrevi a "Coluna do Lorida" para jornais locais, algo que estou fazendo de novo. Já fiz programas de variedades e até programas jornalísticos (apesar de não ser formado) na repetidora da Rede TV! que tinha na minha cidade.
Trabalhei na frente e por trás das câmeras. E nos bastidores de rádio, eu trabalho com criação e produção de textos comerciais, programação musical, e... Hum. Começo a achar que vão achar que estou procurando serviço e espalhando meu currículo pelo blog, heuheuheuhue. (PS Interno: mas dependendo da proposta, podemos conversar). É claro que a gente sempre quer mais, ninguém pode ficar plantado que nem árvore num lugar só (a não ser as próprias árvores) o tempo todo. Mas tenho noção de que tenho um dos melhores empregos do mundo. Trabalho pouco, e apesar de não ganhar tanto assim, ganho bem mais que muita gente que trabalha muito mais em outros serviços. E isso sem ter feito (ou pelo menos ter terminado) uma faculdade. Já comecei Letras, não fui adiante. Agora estou cursando Marketing (uhuuu) e vamos ver no que vai dar.
É divertido ver gente (inclusive alguns patrões) brigarem comigo e depois virem me elogiar, porque entrei no ar e fiz minha locução como se fosse o cara mais alegre do mundo (ui ui ui, rapaz alegre). Mesmo quando a briga é no serviço, eu não misturo os meus problemas, com o meu trabalho. Eu gosto de entrar no ar e alegrar quem está me ouvindo, assim como gosto de ouvir os locutores que sou fã, falando de maneira que me alegram. Hoje em dia, só têm dois locutores (entre os maiorais) de quem realmente sou fã do trabalho: Emílio Surita e Banana.
Uma coisa interessante disso tudo, é que um dia eu pensei "vou tentar emprego na rádio, se der certo ótimo". Deu certo! E olha que naquele tempo (tiozinho, mode: on) não era tão fácil entrar neste mundo. Tive que gravar piloto, que foi prontamente ridicularizado pelo meu futuro patrão, que disse que eu ia ter que ficar um tempo estagiando. Que se foda-se! Achei ótimo mesmo assim. Fiquei 6 meses trabalhando de graça, até que finalmente entrei no ar no dia 26 de Junho de 1994. Onze da noite. Trabalhei mais uns 6 meses só em horários da madruga e fim de noite. Aprendi a fazer sonoplastia para muita gente e isso foi bom quando fui trabalhar no rádio AM depois. Pois conseguia ganhar uns trocados a mais por não ser apenas locutor. Depois aprendi produção de áudio, e isso foi me abrindo muitas portas.
Trabalhei com cartucheiras, toca-fitas, e toca-discos. Trabalhar com LPs eram um saco. Tem amigos meus que dizem que era melhor, mas eu sempre achei um saco. Hoje em dia os computadores fazem quase tudo. Só faltam falar (alguns falam, mas ficam muito robóticos) para substituírem além de toda a parafernália eletrônica, os locutores. Acho que hoje estou, como já disse no início, mais azedo, porque estou me sentindo mais velho. Estou resmungão, mas para parecer que estou mais jovem, já pensei numa ideia... Ao invés de dizer que estou com 15 anos de carreira no rádio, vou dizer que: “15 anos! Estou debutando!” Soou melhor.
E com este texto, quero homenagear todos os profissionais do rádio com os quais trabalho ou já trabalhei. Locutores, operadores, produtores, vendedores, pessoal da administração, recepcionistas, chefes, gerentes ótimos, bons, ruins, péssimos e o atual (é brincadeira, chefe, leve esse chicote pra lá). Obrigado a todos os ouvintes de rádio que preferem não substituir nunca, o rádio pela TV ou pela internet. Continuem com a gente, pois nosso trabalho só é importante (e remunerado) porque vocês existem.
PS: coincidência ou não, hoje também é Dia Nacional dos Quadrinhos, ou seja, minha duas principais paixões fora da família, comemoradas no mesmo dia. Viva o rádio! Viva os quadrinhos!! Viva Zapat... er, ops.
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