24/05/2009

Pode vir, pode chegar, misturando o mundo inteiro...

E ontem fui numa festinha de aniversário de uma menina fazendo 5 (ou 6, sei lá) anos. Só sei que eu me senti um peixe fora do Mar Morto. Minha senhora tinha a pequena vantagem de conhecer a criança, a mãe o pai... Ou seja, ela conhecia 3 pessoas a mais que eu na festa toda.

Quando soube que teria essa festa, há umas 3 semanas, eu já sabia que não ia ser algo muito divertido pra mim. Mas tudo bem. O tempo passou e eu já tinha esquecido. Durante a semana minha senhora comprou um DVD infantil pra criança e eu na minha. Mas ontem de tarde ela resolveu me lembrar da festa. Tudo começava a se embaralhar na minha cabeça. Eu gosto de festas, inclusive de aniversário (mesmo depois de não ter me dado muito bem em festas anteriores), mas desde que eu conheça o (ou a) aniversariante, ou grande parte da família. O que,obviamente não era o caso em questão.

Eram pouco mais de 5 e meia da tarde e nenhum dos integrantes de minha família tinham tomado banho. Era só minha senhora dar banho na minha filha e tomar banho. Depois eu iria pro meu banho demoradíssimo, como sempre. Mas minha senhora deu banho na bebê e foi tomar banho... Ela demorou quase o mesmo tempo que eu. Quando saiu disse que demorou porque tinha que lavar o cabelo e tals. Nisso já eram 6 e meia. Meia hora pra eu tomar banho? Ai... Tô ferrado! Pior que eu demoro pra tomar banho, mas me arrumo rápido (não que eu me arrume mesmo, já que não tenho conserto) e ela toma banho rápido, mas demora pra se arrumar. Tomei um dos banhos mais rápidos de minha vida, menos de 20 minutos. Quando saí ela mal tinha começado a se arrumar, ou seja, iríamos mesmo nos atrasar pruma festa de aniversário de gente que mal conheço de vista.

A festa era na casa da avó da criança, 3 quadras abaixo da casa dela. Quando passamos em frente a casa dela, percebemos que o pai dela ainda estava lá... E a mãe estava chegando ali de carro. Sabe o que isso significa? Que já tínhamos diminuído para 1 o número de pessoas que conheceríamos ao chegar na festa. Pensei em ficar ali parado um tempo esperando que eles fossem primeiro pra depois sairmos do lugar, mas acho que não ia pegar bem ficarmos parados na frente da casa dos outros durante muito tempo durante a noite. Seguimos caminho, os pais haviam ido buscar uma caixa de cerveja e alguns refrigerantes (Cini).

A festa era de criança, mas como tinham muitos adultos, o pai da menina resolveu que deveria ter cerveja também. Ok, tudo certo. Quando chegamos na festa, eu não conhecia ninguém e já fiquei sem saber se pegava na mão de cada um, ou se apenas cumprimentava no geralzão. Resolvi pela segunda opção, pois não sou candidato a vereador. Um pouco depois que chegamos na festa, os pais da menina também chegaram. O pai chegou e ofereceu cerveja, eu aceitei e ele me deu um copinho de plástico cor-de-rosa pra que eu degustasse aquela cerveja (que não idéia da marca, já que estava dentro de uma daquelas garrafas de isopor) com um colarinho que dava 70% do copo.

Durante a festa tudo acontecia e nada acontecia ao mesmo tempo. Quando o irmão da mão da aniversariante chegou, chapado e com brincadeiras super adultas, estourando os balõezinhos da festa e falando mais alto que a música que estava tocando (João Bosco e Vinícius na veia), eu vi que a coisa ainda tinha sintomas de piorar bastante. Esse cara é aquele típico que quando bebe volta a ser criança, mas uma daquelas crianças bem chatas. Ficava dando tapinha num, alisando a namorada pra lá, contando vantagem de tudo que o envolve, ensinando tudo sobre computadores pra todo mundo, colocando a perna na frente das pessoas que iam passar na porta (onde ele, obviamente se encontrava no meio) e... Bem, é por aí. Pensem numa daquelas crianças que todo pai e mãe têm vergonha, coloque aí mais uns 15 anos e muito mais vergonha, e você terá uma base do cara.

Eu estava na minha com um copo de cerveja na mão, e minha filha ficava brincando no chão, andando pra lá e pra cá. Num determinado momento ela resolveu bater a mãozinha no meu copo de cerveja que se derramou na minha calça. Interessante é que, com umas 30 pessoas naquela sala, ninguém viu que a minha filha tinha batido na minha mão, apenas viram a cerveja derramada no chão e na minha calça. Tenho certeza que todos os pensamentos errados e que me matariam de vergonha, passaram pelas cabeças do pessoal presente. Nem tentei me explicar. Se fosse um pessoal conhecido eu faria uma piadinha sobre mim mesmo e todo mundo cairia na risada e ponto final. Mas como ali eu não conhecia ninguém, achei melhor fazer cara de sem graça e deixar que pensassem o que quisessem de mim, mesmo porquê, até ali ninguém sabia que eu trabalhava na rádio mesmo, e ninguém ia decorar minha cara também... Eu acho.

(PS Interno: se alguém acha que esse post vai ter um final super engraçado, ou com um clímax espetacular, pode parar de ler agora mesmo, pois estou apenas relatando fatos ocorridos aleatoriamente. Vai continuar? Então, obrigado.)

Num determinado momento, o pai da aniversariante (que chegou a perguntar meu nome, pra que você leitor entenda o grau de intimidade que nós temos... aliás, eu também não sei o nome dele) resolveu me apresentar pros amigos dele pra eu me enturmar. Imagine a cena na sua cabeça. Um cara que mal me conhece de vista me apresentando prum monte de gente que eu não tenho idéia de quem sejam. Além dele perguntar de novo meu nome na hora de me apresentar pro pessoal, ainda me perguntou em qual rádio mesmo que eu trabalhava... Ali acabaram todas as pequenas possibilidades de eu ser simpático ao ponto de realmente criar alguma amizade advinda desta festa.

Acho que minha conversa se resumiu em:
-Oi.
-Oi.
Então cê trabalha na rádio?
-Sim.
-Legal.
-É.

Só isso. Acabou aí. Nem me dei ao trabalho de puxar algum assunto e mesmo porque eu, apesar de ser radialista, sou péssimo em puxar qualquer tipo de assunto com pessoas que eu não conheça pessoalmente. Eu não sou fácil de me enturmar, muitas vezes acabo me tornando anti-social ao extremo e realmente não gosto de ir em lugares onde não conheço ninguém. E só neste último mês, essa já foi a segunda vez. A primeira vez foi numa homenagem para as mães, mas nem vou entrar em detalhes sobre essa empreitada. Quem sabe um outro dia.

Só sei, aquele moço que eu disse que parecia uma criança (matadora de vergonha) entrou na fila da comida (salgadinhos, docinhos, bolo e etc.) na minha frente. Saco! Sabia que ia dar merda. Eu já havia deixado quase todo mundo pegar, exatamente pra eu não ter que enfrentar uma baita fila e ter que ficar ali parado em pé muito tempo com a calça molhada de cerveja. Mas como este ser que está entre a raça humana e os alimentos de peixe da Etiópia resolveu pegar a fila na minha frente. Ele ficava parado, oferecendo salgadinhos e para servir a todos a sua volta. Mas não servia ninguém e não saia da frente. Ficava lá com suas brincadeiras divertidas e eu morrendo de raiva, mas fiquei na minha. Não gosto de bêbado chato. Eu bebo. Mas se eu ficasse daquele jeito, eu mesmo me daria uma rasteira ou uma marretada na minha cara, para parar de fazer vergonha para os seres humanos ao redor.

Finalmente consegui chegar até a mesa, peguei os salgadinhos e docinhos suficientes para alimentar uma criança de colo. E fui pro meu cantinho, ao lado de minha senhora e da bebê. Uma de minha idéia naquele momento era de terminar de comer e ir embora, mas como sei que isso é falta de educação, terminei de comer e esperei mais uma meia hora pra dizer que minha filha (que estava no chão se divertindo e brincando, com carinha de quem não ia dormir tão cedo) estava morrendo de sono e já estava na hora de ela ir dormir. Provavelmente ninguém acreditou, mas "quisifoda-si". Eu não conhecia ninguém ali mesmo, e tenho certeza que quanto mais tempo ficasse, menos iria conhecer.

2 .000 leitores doloridos:

Larissa Bohnenberger disse...

Bom, eu ia dizer que adoro aniversário de criança, por causa da comilança, mas quando a festa infantil acaba se tornando uma desculpa para adultos passarem dos limites e demonstrarem toda sua inconveniência e chatice, aí realmente vira um pé no saco!
Bjs!

Anonymous disse...

porque sempre os bebes fofinhos levam a culpa do adulto se mandar da festa... eu sei como eh ... ja fui uma crianca fofinha.