27/02/2009

A Aprendiz...

Dormi apenas umas 3 horas durante a noite e de manhã cedinho quando acordei, me lembrei que tinha faculdade de noite. Até pensei em dormir um pouco mais de manhã, mas a filhotinha não permitia, é claro. Então, ali prumas 10:30 já tinha me decidido a ir trabalhar de manhã e aproveitar a tarde para dormir, para agüentar as aulas de noite. Certo! Tudo organizadinho. Inclusive na hora que eu estava colocando meu tênis, tocou o meu celular, era do trabalho, alguém que não sabia fazer alguma coisa não tinha encontrado algo que eu tinha feito. Fui e o problema acabou. Esse problema do trabalho. Mas aí comecei a fazer todo o serviço que eu podia na parte da manhã, já que meu horário seria só até uma da tarde e poderia ir pra casa dormir até as 17 horas que seria meu próximo horário. Tss, tss... Aí me lembrei de algo terrível. Tinha que ir no banco pagar a mensalidade da facul.

Já estou pagando todo mês com juros porque eles foram muito legais e colocaram a data de vencimento bem antes do dia do meu pagamento e como eu sempre recebo uns dias depois, pago juros todo mês. Aí me veio o pensamento de ter que ir no banco pagar, porque vencida, só se paga no banco e só naquele banco que eu sempre odeio ir porque em qualquer lugar deste país é o banco mais devagar que existe. E se ele já é devagar, imagine quando está com aprendizes. Cada ser humano na minha frente levava em média uns 10 minutos para ser atendido, mesmo que fosse apenas para perguntar se o Brazil’s Bank era ali mesmo.

Uma pessoa idosa com “Mal de Parkinson” e analfabeta, leva em média umas 15 vezes para conseguir fazer o cartão do banco funcionar corretamente. Uma das aprendizes levava em média umas 47 e então percebia que estava passando o cartão do lado errado. Mas tudo bem, tinham umas 15 pessoas na minha frente, 10 minutos em média (pra ela passar o cartão), eu conseguiria sair do banco a tempo de tirar uma sonequinha microscópica. O tempo passava e na minha fila a coisa parecia que ia demorar mais, na fila ao lado a coisa nem andava. Tinha uma moça sendo atendida desde a hora que cheguei, e já tinham sido atendidas umas 5 da minha fila. Tinha uma senhora na fila de lá, que estava esperando o atendimento prioritário... Coitada da senhora, esperou tanto que acho que algum dos filhos ou netos dela até ligou pra ela, acho que pra perguntar se ela tinha se perdido a cidade e tal. Eu ouvi ela dizendo: “Não, é que estou na fila do banco.” Certeza que a pessoa do outro lado da linha deve ter perguntado em qual banco, pois ouvi ela dizendo o nome do banco e dando um daqueles sorrisos que a gente dá quando alguém diz: “Ih, tá fodida!” (Algo que, aliás não deve ser dito para uma senhora.)

O duro é saber que ela não seria a única a se ferrar naquele dia. Eu já tinha certeza que meus segundinhos pra tirar uma soneca tinham ido pras cucuias, mas como todo brasileiro fodido, eu não desisto (quase) nunca. Fiquei lá, meio firme e meio forte pra ver onde ia dar aquele tormento. Mas pelo jeito não ia dar em nada. Não era possível chegar no caixa. Alguma força invisível parecia criar novos problemas a cada passo de formiga que a gente dava. Sempre acontece de a gente estar numa fila e aparecer um daqueles aposentados que vai tomar a nossa frente e se utilizar da prioridade que eles têm por direito e tempo de serviço. Ok! Não sou contra, aliás, muito pelo contrário, mesmo que não fosse obrigatório, eu cederia meu lugar na fila para uma pessoa de idade que eu notasse que realmente é uma pessoa de idade e que merece respeito.

Mas agora vem o fato em si. Um ser humano de uns prováveis 50 e poucos (ou 50 e todos) anos e, aparentemente forte como um touro, chega na fila, logo atrás de mim e diz: “Bem que você poderia me ceder seu lugar na fila!” Eu disse que até “tudo bem, mas a outra fila, que já é para as pessoas que tem prioridade, como idosos, gestantes ou mãe com o bebês no colo, estava com apenas uma pessoa na frente” e ele provavelmente seria atendido mais rápido (ou no caso, sairia do banco antes de se aposentar), mas ele resolveu que não foi com a minha face e disse que “eu deveria respeitar os mais velhos e que ele tinha direito” e blá blá blá.

Naquele momento eu cliquei em mim mesmo mentalmente a tecla “FODA-SE!” e disse que “tudo bem, se o senhor tem direito, vai lá no primeiro da fila e pede, não venha tentar pegar um lugar aqui no meu décimo e seguro lugar”. Ele fez isso, foi lá pro começo da fila,e vi que ele levou um não, outro não, outro não, outro não, uma “ah, sei lá, vê com galera aí”, outro não, outro não, outro não, outro não e pra mim, é óbvio, ele virou a cara e ficou quietinho e no décimo quinto lugar, já que enquanto ele ficou com aquela baboseira, chegaram mais 4 clientes. CHUUUUUUUPA!

E na fila dos verdadeiros idosos, já tinha chegado mais gente também. RECHUPAAAAAAAAA!

Mas tudo isso serviu apenas para eu ficar ali mais e mais e mais e mais tempo. Durante todo esse tempo, uma pessoa conseguiu ser atendida pela aprendiz com “Parkinson”. Agora eu já era o nono. Dali a pouco eu ia realmente me sentir um “Nono” (avós são chamados assim na Itália... eu acho). Vi o pessoal trazendo dinheiro (ou sei lá o que, porque os sacos eram pequenos) pra dentro do Brazil’s Bank. Os caras usam umas escopetas e ficam o tempo todo com a mão presa ao revólver (ou pistola ou foda-se o que for) e com cara de Stallone. Só faltava olhar pra nossa fila com 8 pessoas e dizer: “Filas são uma doença e eu sou a cura!” E metralhar todo mundo!!! Toda hora que eles passavam dava vontade de encarar e dizer: “Vai logo com essa merda!” Na hora que um deles me olhassem eu olhava pro caixa e fingia que e era com a aprendiz. Mas é claro que essas coisas só passam pela minha cabeça e minha boca ainda tem um pouquinho de lucidez para se segurar fechada.

Sei que o post está ficando longo, mas quem estava na fila era eu, então, agüente mais um pouco. Mais uma pessoa se foi (digo que foi embora e não que se foi por que nossa fila era a doença e os caras eram a cura) e finalmente eu era o sétimo. Já me sentia mais próximo de pagar a minha dívida de sangue, que na verdade era apenas o boleto da faculdade. Interessante a gente ganhar dinheiro para pagar uma faculdade para tentar ganhar mais dinheiro num serviço que na verdade a gente provavelmente nem vai pegar depois que se formar, mas que a gente sempre tem a ilusão de que... Opa, mais um se foi! Agora sou o sexto. Aquele senhor que queria usar a idade para furar fila na cara dura já tinha ido pra outra fila que tinha uma aprendiz ainda pior que a minha (digo, a da minha fila) e pelo que eu pude notar, aquela senhora do celular, lá no início do post, ainda estava no caixa.

Geralmente essas senhoras demoram por motivos próprios, ou porque são mais lentas por causa da idade, ou porque não tiveram estudo (ou como chama hoje em dia, “oportunidade de estudar”) ou algo assim. Mas essa senhora não. Essa estava sendo vítima de uma das piores crueldades e torturas que alguém de idade pode sofrer... Uma caixa de banco “aprendiz”. Caixa de banco já é tranqüilo, vê as pessoas se descabelando na fila (o que não é meu caso, meu cabelo caiu naturalmente) e ficam contando dinheiro como se estivessem lendo um livro lentamente e tentando interpretar os significados daquelas palavras, passando as páginas, digo notas, chegando até a colocar o dedo na língua para as notas criarem mais aderência aos seus dedos. Imagine uma aprendiz! Mesmo não estando tranqüila, muito pelo contrário, ela quase se descabela, mas a pessoa experiente ao seu lado só falta dizer: “Calma, esse povo sabe que tem que esperar, isso aqui é um banco... Brazil’s Bank, ainda por cima. Eles sabem que aqui não adianta ter pressa. E isso é cultural, tanto faz aqui, como no Paraná, como no norte extremo do país, nosso banco mantém um padrão de vagareza que eles já aprenderam a suportar.”

Enquanto a senhora de lá de fod... Opa, agora sou o quinto. Já consigo ver uma luz no fim da fila. Não, não, não, não... Não consigo! Acabou a luz. Falta de energia. Eu estava tão perto, tão perto. Me senti como a nossa seleção na copa de 98. Num dia só tive que agüentar caixas de banco aprendizes e o belíssimo serviço de nossa empresa de energia elétrica, unidos contra mim. Não adiantava querer esperar, pois depois da volta de energia elétrica, demoraria para o voltar o sistema e blá blá blá. Fui embora. Saindo do banco, ainda consegui ouvir aquele grito “Uuuuuuu!” que os seres humanos fazem sempre que acaba ou volta energia elétrica em algum lugar. Deixei para outro dia, mas já sabia que no outro dia tudo poderia ser ainda pior.

No dia seguinte eu fui no banco em horário de pico, pronto para faltar no serviço, já tinha até deixado meu colega de sobreaviso. E como eu disse pra ele que iria para o Brazil’s Bank, ele prontamente disse que “tudo bem, pois ele sabia que era óbvio que eu não voltaria a tempo de fazer o meu trabalho... Naquela semana.” Mas cheguei no banco e já vi algo estranho, apenas duas pessoas na fila. “Opa, hoje vou ficar só uns poucos minutinhos.” Quando olhei para o meu lado, notei que tinha um cidadão encarando a fila com a mesma cara que eu estava. Eu olhei pra ele. Ele olhou pra mim. E nós dois fingimos indiferença e continuamos nos encaminhando para a fila do banco.

Eu estava apenas com o boleto da faculdade e um outro boleto de uma compra de gibis que eu tinha feito pela internet, mas o cara me parecia estar com todos os papéis da empresa que ele trabalhava, e das empresas vizinhas (umas quinze) que pediram pra ele aproveitar que estava indo no banco para pagar essa duplicatinha, retirar um dinheirinho, trocar um chequezinho e... Não importa! Quando percebi eu já tinha passado correndo pela porta giratória e olhado pro segurança com cara de “vida ou morte” do meu dia, e por sorte parece que o segurança percebeu que eu não era um ladrão de bancos ou algo que o valha.

Cheguei na fila e notei que lá no caixa não estavam as minhas “queridas” aprendizes. Estava apenas uma atendente e pasmem, não tinha ninguém na minha frente na fila. Não acabou a energia, não aparecerem Stallones, não surgiram senhores e nem senhoras para serem priorizados e, em resumo, consegui pagar meus boletos. E fui embora do banco ainda a tempo de trabalhar.

Bem, esse post começou a ser escrito na semana passada, que foi quando tudo isso aconteceu, mas hoje eu tive que ir na lotérica para receber um dinheiro (que por algum motivo, apesar de ser da Caixa Econômica, eu só posso receber na lotérica ou em algum Caixa Aqui espalhado pela cidade) e quando cheguei na fila, olhei para o guichê e vi uma plaquinha assustadora, uma plaquinha que me fez sentir calafrios, uma plaquinha que aparecia saída de meus piores pesadelos e com os dizeres: “Em treinamento.”

PS: caso você note algum erro de continuidade, já foi explicado no texto, eu escrevi isso aqui por partes, e sem paciência de voltar nas partes anteriores e ver o que eu já tinha escrito e blá blá blá...

26/02/2009

Chamou atenção, eu bloqueio...

Ninguém gosta quando chama sua atenção. E não estou falando só daquele terremoto que é causado no seu computador quando alguém lhe chama atenção pelo MSN (o título é por isso). Um amigo meu escreveu isso que eu coloquei no título no nick dele, pois não aguenta mais as pessoas "chamando sua atenção" para coisas fúteis, as quais um simples "oi" já resolveria. Mas não é sobre isso que vou escrever, vou escrever sobre "chamar atenção" mesmo. Sobre fazer uma crítica, falar mal de algum serviço ou te dar uma "chamada" daquelas na frente de outras pessoas.

Já ouvi muita gente dizendo que não liga para críticas, que acha que vai melhorar ouvindo o que os outros têm a dizer sobre seus pontos fracos, que uma pessoa tem que saber ouvir quando está errado e blá blá blá. Tudo balela! O cara ouve uma crítica e agradece com um "Muito obrigado!", mas está pensando de outra maneira. Pensando algo como: "Quem esse m&56@ acha que é pra vir me ensinar alguma coisa?" E quando sai de frente da pessoa que lhe criticou ou chamou sua atenção, começa a espalhar pra todo mundo os defeitos daquele cara que o criticou.

Já vi isso acontecer um punhado de vezes. Mas pergunte pra quem fez pra você ver a resposta. "Quem, eu? Eu prefiro que me falem na cara do que pelas costas." Preferir, até prefere. Mas quando falam pelas costas ele não sabe, então como vai ficar bravo? Mas quando falam na frente, mais uma vez vem o "Muito obrigado!" com intenção de "Vai tomar..." Eu mesmo já fiz críticas e vi que o resultado não era o que eu esperava. A pessoa criticada por mim não melhorou nem 1% e ainda ficou toda ofendidinha comigo. E também já estive do outro lado da moeda. Já fui criticado e não utilizei o consagrado "Muito obrigado!" Eu não consegui. E o pior de tudo, o cara até tinha uns 4% de razão, que depois eu utilizei em meu bem próprio. Mas eu não consegui aceitar a maneira como ele falou. Achei que ele não tinha capacidade de fazer melhor e daí veio aquela história de que pra fazer omelete não precisa saber botar um ovo e blá blá blá.

Na verdade, quando a gente aceita crítica é porque não queremos dar o braço a torcer que ficamos injuriados com aquilo que a pessoa disse. Quando não aceitamos críticas é porque não queremos dar o “braço a torcer” para nossos próprios erros. Sei que é mais fácil alguém chegar na nossa cara e elogiar do que falar mal, mas sei também que isso pode ser algo benéfico pra gente se for aceito da maneira certa. Um elogio vindo de alguém sempre é suspeito, mas você ficar sabendo que alguém te elogiou, numa conversa descontraída com amigos, faz o seu serviço melhorar. Faz você querer ser ainda mais elogiado.

Eu já fui criticado por muita gente e fui elogiado por muita gente também, e vou ser sincero, sempre tento melhorar quando sou elogiado e sempre dou de ombros para as criticas. Isso acontece muito com patrões também. Tem gente que quando o patrão elogia já acha que está super bem e pode se acomodar. Mas sei que tem muita gente (inclusive eu) que quando o patrão elogia, quer fazer um trabalho ainda melhor para ser elogiado, para melhorar o salário e etc. Alguns poderiam chamar isso de puxa-saquismo, mas não é bem assim. Puxa-saquismo seria ficar fazendo um monte de coisas para seu patrão ficar te elogiando a torto e a direito. Mas no caso que eu falei, é você querer trabalhar bem no seu próprio serviço para ser reconhecido. Tentei fazer piadinha, mas o texto ficou muito sério. Estou com vergonha.

PS: podem criticar aí nos comentários...

12/02/2009

Escrevi esse Post e saí correndo...

Até um tempo atrás eu estava sem computador em casa. Minha mudança ainda não tinha chegado do Paraná e eu só usava o computador do serviço. Comecei a escrever a Coluna pro jornal nele e sempre pensando que na hora que o meu chegasse, eu teria mais tempo e faria toda semana uma coluna fácil, divertida e tranquila (não que algum dia eu tenha feito uma assim), mas não rolou. Pelo contrário. Hoje em dia eu penso em alguma coisa no horário de trabalho e deixo pra escrever de noite em casa. Mas quando chego em casa acabo esquecendo aquela idéia e ainda fico sem nenhuma inspiração para escrever algo novo.

Aí venho para o pc e escrevo um texto sobre não ter o que escrever pro jornal. Sabem que tem gente que adora ler textos sobre não saber o que escrever para fazer um texto? É incrível, mas quantas vezes já vi gente reclamando de um texto num blog porque está escrito que o cara escreveu sem saber o que estava escrevendo, ou seja, a pessoa leu o texto inteiro para dizer que o cara não sabia o que estava escrevendo e não tinha porque ficar explicando pros leitores que estava sem inspiração. Creio que você leitor esteja com essa dúvida neste momento. Ou algum outro tipo de dúvida como: “Será que adianta ler até o final?” “Será que ele vai escrever algo interessante e fica dizendo essas coisas só pra me enrolar?” “Será que o dono do jornal algum dia leu essa Coluna e sabe as bobeiras que o autor escreve?” Pra todas essas dúvidas eu só tenho uma resposta: NÃO!

Se o dono do jornal lesse essa Coluna, com certeza já teríamos parado de tê-la por aqui. Se eu fosse escrever algo interessante, com certeza já teria feito isso em colunas anteriores. Tem um ex-colega de trabalho meu que pegou a Coluna no primeiro dia e só leu a primeira linha. Tava escrito algo sobre eu não saber dirigir. Foi só isso que ele leu. Olhou pra mim e disse: “Ah, pára que você está escrevendo só pra dizer que não sabe dirigir?” Eu nem tentei explicar pra ele que tinha todo um texto depois daquela frase, pois a dificuldade com que ele leu aquela primeira frase já me deu uma idéia de como seria a leitura total do texto. Demoraria 4 dias e ele chegaria pra mim dizendo algo como: “Hã?”

Apesar disso ter acontecido lá na primeira Coluna aqui no Ótimo, eu só lembrei de falar mal do cara agora. E pra quê? Se ele pegasse esse jornal e visse minha Coluna ele nem ia começar a ler, pois já ia imaginar que eu ainda estava falando sobre “não saber dirigir”. Pois a primeira impressão é a que fica nesse tipo de leitor. Já os leitores mais inteligente e cultos... Não leriam isso aqui de jeito nenhum. E tem você! Leitor com senso de humor. Que conta piadinhas com seus amigos. Que ri da cara de alguém que faz algo errado, não por maldade, mas apenas porque acha divertido. Você que sabe quando alguém está sendo irônico e não querendo te ofender. E que entende que não são só as suas brincadeiras que são divertidas, mas também as de outras pessoas. Que não contam uma piadinha sobre alguém e dá uma patada quando esse alguém ou outra pessoa contam alguma piadinha sobre você.

Ou seja, você leitor que olhou o título dessa Coluna e sacou que não podia ter assunto sério aqui. Você leitor que não iria dizer que “esse colunista não sabe tratar os assuntos com o devido respeito.” Eu não sei como terminar esse texto direito e do jeito que comecei nem poderia ser diferente. Leitor, esteja sempre aqui, pois eu prometo que a Coluna da semana que vem vai ser ainda mais chata. Abraços e até lá!

03/02/2009

Stand-up: Patrões...

Quem daqui trabalha?
( )
É, teve um que levantou o dedo e meio envergonhado. Acho que é porque agora é horário de trabalho e o cara tá aqui, matando serviço. Dá até vergonha de ser trabalhador. O cara diz, sim, eu trabalho. E tá matando serviço por quê?
(...)
Acho que, dependendo do patrão, ele mata o serviço pra não correr o risco de matar o patrão. Tem países em que isso é crime.
(háháháháháháháháháháháhá)
Quem nunca pensou naquela frase de pára-choque de caminhão: "Ai senhor, dai-me paciência, pois se me der força, meu chefe vai ficar paralítico."
(háháháháháháháháháháháhá)
Mas não é todo patrão que é ruim. Tem patrão muito bom. Roberto Marinho por exemplo, hoje em dia é um ótimo patrão.
(háháháháháháháháháháháhá)
Tem patrão que acorda de manhã lembrando do sonho que teve que foi revoltante e que o fez pensar em algo muito divertido... Foder com o dia do empregado.
(háháháháháháháháháháháhá)
"Hoje vou perguntar pro meu funcionário se ele fez alguma, se ele não fez, tá ferrado, mas se ele fez, vou dizer que tá tudo errado."
(rs)
É, essa não ficou engraçada. A não ser pro patrão.
(háháháháháháháháháháháhá)
O patrão não chegou na posição gerencial que está porque é um grande administrador ou um grande pensador, nem porque é um grande filho da... Ele chegou onde está porque não conseguia fazer algo e resolveu mandar alguém fazer. Aí um fez, outro fez, outro fez mais ou menos e ele decidiu: "Opa! Vou ser patrão! Não sei fazer bem, mas sei mandar que é uma beleza."
(háháháhá)
Tem gente melhor que o patrão na empresa? Sempre. Ele vira patrão? Nunca. Se virar patrão, automaticamente fica pior.
(háháháháháháháháháháháhá)
Eu até já tentei ser puxa-saco uma vez pra ver se me dava bem com a chefia. O problema é que eu sou muito temperamental, na primeira briga, se eu estiver puxando o saco, eu arranco.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Hoje em dia eu poderia ser rico. Era só eu ter dado para um dos meus chefes...
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
A razão que ele achava que tinha.
(háháháháháháháháháháháhá)
Você pensam em uma sacanagem e pronto a risada vai lá na China. Povo sacana. Tudo empregado. Se tivesse um patrão aqui já estaria rindo alto.
(...)
É, todo patrão gosta de rir alto. De alguma piada que ele conte, ou que algum cliente conte. Se o empregado rir alto, ele ri ainda mais alto. Patrão nunca quer ficar por baixo. Quer sempre falar mais alto, rir mais alto, ser mais alto...
(háháháháháháháhá)
Se você chega numa empresa, e você tem 1,60m e seu patrão tem 1,75m, já é um passo pra você conseguir o emprego. Mas se você tiver 1,76m pode se preparar. Ele vai te pedir até a cor da primeira mamadeira que você teve na vida.
(háháháháháháháháháháháhá)
E ainda vai fazer aquela brincadeira (caso você seja homem) da cor rosa que combina com você. E vai rir alto. E você vai ter que rir também. E rir baixo, ou num tom abaixo, para que ele não ache que você vai querer rir mais alto que ele na empresa.
(háháháháháháháháháháháhá)
O patrão não acha nada que você faz engraçado. Ele sempre vai dizer que aquele não é momento certo. Sabe quando é o momento certo para sua piada ter graça? Quando ele contar pra alguém.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
O empregado passa o dia todo tentando fazer o seu serviço certo, mas acaba fazendo errado de tanto que o patrão incomoda mesmo quando ele tá certo.
(rs)
Você não consegue falar com seu patrão nunca. Ele sempre está no telefone. Quando desliga o telefone por um tempinho vem e te dá uma bronca, quando você vai responder... Já era. Ele está no telefone de novo.
(háháháháháháháháháháháhá)
"Mas chefe, o senhor nem discou."
"Tá duvidando de mim?"
"Não, não. O senhor tem toda razão, devo estar enganado."
"Deve?"
"Não chefe, estou. Estou, estou. Desculpe."
(háháháháháháháháháháháhá)
Na verdade, esse desculpe elenem ouviu, pois já está andando nos corredores falando no telefone sem fio, pois ele fala o tempo todo e anda com o telefone sem fio, para que possa falar na hora que quiser falar, e conversar no telefone na hora que alguém quiser falar com ele.
(háháháháháháháháháháháhá)
Melhor maneira de falar com chefe é pelo telefone. Ele não tem como ligar pra outra pessoa, mesmo sendo chefe ele tenta manter a compostura e não desligar tão rápido na sua cara, e como você não está na frente dele, ele não consegue perceber que você está quase se borrando ao falar com ele.
(háháháháháháháháháháháháháháháháháháháhá)
Se ele tiver uma idéia, aceita a idéia, pois ela sempre é boa. Mas se você tiver a mesma idéia que ele está pensando, nem fale. Pois além de ele não aceitar, ainda vai ficar com raiva porque a idéia dele perdeu a graça.
(háháháháháháháháháháháhá)
Se seu chefe te chamar pra tomar um cafezinho, já vá preparado. Esse cafezinho vai ser uma reunião pra te dar serviço.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Se você fizer o serviço mal, vai levar muito grito na orelha. Se fizer o serviço bem, vai ouvir um "viu? Sabia que dava pra fazer!"
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
O chefe sempre quer que você adivinhe. Adivinhe que era pra ter feito tal coisa. Adivinhe que ele não conseguiu fazer tal coisa. Adivinhe que ele pensou em te mandar fazer um serviço, mas não lembrou de te falar... Mas também não lembra de não ter lembrado de te falar.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Ele só não quer que você adivinhe que ele vai te dar um esporro. Isso não! Isso tem que ser surpresa. Se você adivinhar perde a graça.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Tanto, que ele é capaz de elogiar um serviço mal feito seu, só pra você ficar contente e despreparado. Aí na hora que você vê ele, fica todo contentão achando que ele vai te elogiar de novo... Aí vem o esporro!
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Ele sempre vai ter trabalhado com pessoas melhores que você. Pra poder te comparar. “Cara, eu tinha um empregado antes de você, que fazia esse serviço em 15 minutos.” “Cara, se fosse meu antigo funcionário, teria feito sem nem precisar eu pedir.” “Sabia que meu antigo funcionário hoje em dia é patrão numa empresa maior que essa?”
Nesse momento você pode perguntar quanto esse antigo funcionário ganhava.
(háháháháháháháháháháháháháháháháhá)
Seu patrão não vai responder por dois motivos distintos. Primeiro, se o funcionário ganhava mais que você, você vai ter o direito de reclamar do salário.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Se esse funcionário ganhava menos que você e hoje em dia virou patrão duma empresa maior, significa que seu patrão é muito incompetente e perdeu a vaga pra esse funcionário.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Existe ainda uma terceira opção. Esse funcionário nunca existiu, e qualquer das duas mentiras de salário daria na cara.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Tem patrão que acha que é deus. Será que ele não percebe que quem tem chifre é o outro?
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Sabe uma coisa que você não pode ter de jeito nenhum dentro de uma empresa? Amizade com as empregadas bonitas. Só o patrão pode ter essas amizades. Se você tiver, fica na lista negra. Se você tiver alguma moral com elas, seu nome fica numa lista negra na boca dum sapo.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Se o patrão achar que você tem um caso com uma dessas empregadas, seu nome vai direto pruma folha antiga que alguma empresas ainda têm... Advertência.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Pior que você ir pra lista negra, é a coitada da empregada ir pra lista branca. "Se ele que é um simples empregado tem moral, imagine eu que sou o chefe, o maior, o grande, o deus nessa empresa?
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)
Essa platéia tá muito boa, muito alegre e mais ou menos bonita, mas eu tenho que ir. Acho que hoje vou levar um esporro, o patrão tá muito feliz.
(háháháháháháháháháháháháháháháhá)

(Caso essa coluna não seja atualizada pelos próximos dias.. Nem preciso explicar, né?)