Acordei as 6:50. Escovei os dentes, passei fio dental (pois se eu passasse a cueca não ia limpar direito) e dei uma buchechada com enxaguante bucal (de marca vagabunda que não me elmbro o nome). Eu já tinha em minha mente que o dia não ia ser dos melhores. Até achei que ia poder trabalhar depois do meio-dia, pois uma vez eu trabalhei no mesmo dia que tinha extraído um dente, eu acho, não lembro direito. Só sei que ontem não rolou.
Chegando no posto vi que a sala onde se extrai dente fica lá no fundo e não ali na frente como todos os outros consultórios. Creio que isso seja para, em caso de óbito do paciente seja mais fácil deságuá-lo lá no fundo. Fui lá pro fundo e esperei por poucos segundos. Parece que eu era o único que iria
Quando ouvi meu nome, me deu um frio nas espinhas (e nos cravos que tenho no nariz) e eu sabia que o tempinho que ele demorou era mais que suficiente para que ele preparasse os instrumentos de tortura. Sentei-me na cadeira que foi se abaixando até me deixa em 180 graus. A gente fica tão indefeso nessa hora, não? Deitadão com a boca aberta parecendo uma boneca inflável. Mas creio que o dentista também não se divirta tanto assim tendo que ficar mexendo na boca da gente. Coisa mais nojenta, baba pra cá, sangue pra lá, baba pra lá, sangue pra cá e aquele caninho que a assistente fica colocando na boca da gente pra sugar a melequeira toda.
Levei umas 37 agulhadas de anestesia. Quando tanto eu quanto o doutor achávamos que estava tudo bem... Ai! Aí ele perguntava se estava doendo, eu dizia que sim e lá vinha mais uma agulha com anestesia. Cada vez que parava de doer num lugar, ele mexia um pouquinho no dente e começava a doer em outro lugar. Nunca tinha doído antes, mas também que manda ir todo confiante, né?
Uma coisa interessante era o doutor conversando comigo de forma retórica. Pois tudo que ele dizia, ele mesmo tinha que responder, pois eu estava obviamente impossibilitado de falar qualquer coisa que não fosse "rmrmrmmrm". E todo dentista faz isso. Fica conversando com a gente, como se realmente eu fosse falar alguma coisa com a boca inchada e cheia de baba e sangue. Imagino que quem ia se ferrar mais seria ele que ficaria todo babado.
Depois que finalmente o dente foi-se para o limbo dos dentes, eu passei na farmácia do SUS para pegar os remédios que o doutor me receitou. Entreguei a receita, a moça me entregou os remédios e anotou meu nome já estava na receita e pediu a minha data de nascimento. Eu continuava impossiblitado de falar pois estava com 5 quilos de algodão na boca. Pedi a caneta e anotei a minha data de nascimento (que não pretendo divulgar aqui agora).
Quando cheguei em casa percebi que tinha que ligar pro serviço pra avisar que eu não poderia fazer programa ontem (sou radialista, não é esse tipo de programa que você pensou), mas eu não sabia o que fazer. Acho que se eu tivesse ligado pra rádio e pedido pra secretária apenas com meus resmungos, além de ninguém me substituir, acho que a moça ia achar que tinha algum tarado ligando pra ela. Ia parecer aquele comercial de um chocolate que não lembro o nome. A opção que eu tive foi o MSN. Era simples, era só entrar, avisar e me despedir e ir descansar. Não era nem 8:30h quando entrei no MSN, e só consegui falar com a secretária depois das 9:20... Phoda! Dei o recado e tudo bem. Mas depois disso eu só me lembro de acordar as 15:30h, mais nada.











