31/08/2009

O segredo do sucesso musical (ou: Grande Rolex...)

O Rob Gordo é um blogueiro tão fiadaputa de bom, que consegue não só escrever posts phodásticos, como dar idéia quando nós, simples blogueiros de papel de pão, estamos totalmente desprovidos de criatividade. Ele tuítou sobre as rimas (já afamadas) de Dado Dolabella, e neste caso específico: Rolex e Relax!! Mas por mim já tinha passado despercebido que isso aí também rima com: Gilgomex! Estive pensando também no que Dado (meunomeédadó) disse sobre o investimento que irá fazer com seu "1 milhão de reais!!"... Disse que vai investir na carreira de cantor. É o mal de se ganhar dinheiro fácil, fica gastando com qualquer porcaria.

Estive pensando no sucesso musical por esses dias. Me lembro que a música sertaneja sempre é chamada de brega (e não deixa de ser verdade), mas vende muito. Sinal de que ela vende muito é que a trilha da novela Paraíso, que é 92,78% sertaneja, é atualmente o CD mais vendido no Brasil. Novela das seis ainda por cima. Com músicas sertanejas românticas, universitárias e caipiras. Ou seja, taí a galinha dos ovos de ouro! Pra fazer sucesso tem que gravar música sertaneja. Mas...

O cantor Régis Danese foi cantor sertanejo da dupla Régis e Raí, conhece? Não? Eu conheço, mas sei que nunca fez sucesso. Ele fez sucesso no estilo musical mais difícil de fazer sucesso: Gospel! Não estou dizendo vender, pois sei que música gospel vende relativamente bem, mas sim de sucesso comercial. Tocar em rádios, TV, o povo cantando na rua... Quantas músicas gospel você ouve o povo cantando na rua? E no entanto, a música "Faz um milagre em mim" (que musicalmente falando nem é grande coisa) está fazendo sucesso. Foi regravada por pagodeiros, sertanejos, danceiros (sei lá que nome dar a quem canta "Dance") e etc...

Mas se dá pra fazer sucesso com "gospel", porque o Robinson Monteiro desapareceu assim que resolveu gravar gospel de novo?

O programa Fama não conseguiu revelar um sucesso de verdade até hoje. Ídolos é ainda pior. Raul Gil? Tá, Raul Gil até que consegue lançar alguns cantores que vendem relativamente bem, mas somem da noite para o dia. Agora é o tal "Os Patinhos"!! Pelamor... Uma versão cômica de uma música do Queen? Cômica em termos, pois eu só vi meu chefe gostar dessa música, e ele realmente não é parâmetro, pois queria parar de tocar Túlio Dek e NX Zero na rádio... Não estou dizendo que esses artistas são bons ou ruins, mas são sucessos.

Seja como for, eu tenho notado nestes anos de rádio, que música fazer sucesso é a coisa mais louca do mundo. "Créu"? Se eu fosse produtor e um cara aparecesse com isso na minha frente, eu provavelmente quebraria o CD no olho dele. No entanto, eu estaria perdendo de lançar um grande sucesso.

Quando eu ouvi NX Zero pela primeira vez eu gostei (desculpem, desculpem, desculpem) e realmente achei que eles fariam sucesso, pois apesar de tudo existe uma musicalidade e umas letras de dor de corno ali, que agradam aos ouvintes de rádio. Daí eu ganharia dinheiro.

Mas e o Latino? Como explicar o Latino? Ele é o novo Midas. Tudo que ele canta com sua voz de "mendigo com gripe" faz sucesso. Mas as rádios que tentam se declarar "elite" não tocam. E creio que ele pensa: "Foda-se! As pessoas ouvem onde quiserem... Se a rádio não toca, compram o CD, baixam da internet e etc..." O disco mais famoso da Kelly Key foi ele que produziu e escreveu a maioria das músicas. A Maxpop, da qual ele é um dos donos, é a maioral no ritmo Dance no Brasil (e tem caras que eu conheço que odeiam o Latino, mas curtem muita coisa da Maxpop). E ainda me lembro dos anos 90, quando ele ia no Xou da Xuxa cantar: "Ô baby me leva, me leva que eu te quero, me leva..." Ou seja, sempre foi uma bosta, mas teve um tempo que ele precisou mudar o estilo da bosta pra vender mais.

E o Sertanejo Universitário??? Esse sim tá criando sucessos... Victor e Léo, César Menotti e Fabiano (que quando eu vi o primeiro CD, há muitos anos atrás, antes do "ao vivo" estourar, pensei: "nunca vão fazer sucesso com esse nome!"), Jorge e Matheus, João Bosco e Vinicius, Hugo Pena e Gabriel e muitos outros. Toda hora aparece uma dupla nova cantando Sertanejo Universitário (que tem esse nome porque é feito para os estudantes ouvirem e terem nos seus carros e tudo o mais) que é feito para a juventude. Certo. Cantores jovens cantando para a juventude, ótima fórmula de sucesso... E Gino e Geno?

Quando eu ouvi Gino e Geno pela primeira vez, eu estava começando no rádio e a única coisa que eu conseguia fazer era rir com suas músicas (que eram sérias naquela época) e suas vozes fanhas. Um dia o Rick (da dupla com Renner) resolveu investir uns trocados na carreira dos velhos conhecidos e ídolos (ídolos que nunca tinham feito sucesso de verdade), e decidiu que iria escrever músicas, produzir o disco, fazer participações e ajudar na divulgação... Gino e Geno atingiram o público jovem que a dupla Rick e Renner não tinha conseguido atingir.

E tem muitas outras coisas assustadoras... Xuxa só Para Baixinhos, Perlla, Belo, João Carreiro e Capataz (se você ainda não ouviu falar, fique tranquilo, vai ouvir) e muitas outras coisas estranhas que fazem sucesso saindo totalmente do padrão.

Pra não deixar de citar os internacionais... Eu odiei Linkin Park quando ouvi pela primeira vez, gostei um pouquinho na segunda vez, e depois de algumas audições passei a curtir demais o tal do "nu metal"!!

Black Eyed Peas!!! Depois da primeira música de sucesso, que tinha a participação do Justin Timberlake, tudo que eles lançam faz sucesso. Essa nova música: "Boom boom pow"!! Na hora que eu ouvi já imaginei que seria um sucesso. é uma música que enjoa só de dizer o nome, mas mesmo assim, taí... Black Eyed Peas em primeiro lugar nas paradas mundiais faz semanas já.

Tudo isso é pra dizer que o Dado Dolabella realmente tem que insistir. Uma hora ele vai lançar algo tão ridículo (que supere essa do Rolex) e vai fazer sucesso. Tudo pode acontecer. Mas acho que vou aproveitar a idéia do Rob, e processá-lo... Rolex, relax... Terminar tudo em "ex" é idéia deste blog e deste blogueiro "pra frentex"!!!

Já o Theo Becker...

PS: e como diria o poeta Roger Moreira: "eu não tenho nada pra dizer, também não tenho mais o que fazer, só pra garantir este refrão, eu vou enfiar um palavrão: cuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!"

PS 2: falando em "Moreira": "eu ia lhe chamar, enquanto corria a barca..."

21/08/2009

Fechou? Nossa... Nem vi!

Quando cheguei aqui nesta cidade fiquei um tempo morando num hotel (teoricamente era um hotel). Eu dividia minhas refeições entre o almoço do hotel e alguns lanches que eu comprava na lanchonete que fica em frente a rádio, aliás, ficava.

Desde o começo eu percebi que a convivência entre o proprietário do lugar e eu seria conturbada. Eu recebo todo mês um vale-compras para supermercado, o que faz parecer que eu ganho mais do que realmente ganho, e resolvi utilizar esse vale para comprar lanches ali na, vamos chamá-la ficticiamente de "Sem Gosto Lanches". Aparentemente deu tudo certo, já que o proprietário aceitou o vale como pagamento pelos lanches que eu comeria durante o mês. Aparentemente, já que só pra explicar pra ele que eu queria comer R$200,00 de lanches durante o mês, e não apenas em um dia, já durou mais de uma hora.

Interessante é que eu realmente queria comer lanche lá todos os dias. Sei que não é saudável e tudo o mais, mas não tem janta no hotel e como eu já havia almoçado algo decente (teoricamente) não tinha problema eu jantar um poderoso, gordurento e substancial X-Tudo. O problema começou quando na primeira noite que eu fui lá todo empolgado e com fome, estava fechado. Deve ter acontecido alguma coisa ou talvez ele tenha fechado um pouco mais cedo. No dia seguinte na hora do almoço resolvi dar uma passadinha pra ver o que poderia ter acontecido e talvez já almoçasse um X-Blevers ("blevers" não tem significado, caso você se interesse, é tipo um... Sei lá, não significa nada, eu falo isso quando quero dizer qualquer coisa... Aliás, taí um bom significado: "qualquer coisa") e quando cheguei na frente do estabelecimento... Fechado.

Nesse momento eu já comecei a pensar que tinha perdido meus R$200,00 de vale. Mas resolvi dar mais uma passadinha depois do almoço pra conferir e qual não foi o meu espanto? Estava aberto. Sim! Ele tem uma lanchonete que não abre no almoço e nem na hora da janta. A minha curiosidade sobre aquele ser humano com cabelos espetados e que por algum motivo alheio a todos os sentidos possíveis, resolveu abrir uma lanchonete. O filho dele ficava o dia todo na frente da lanchonete brincando com um triciclo e pulando e gritando pra lá e pra cá, algo que poderia afugentar os clientes, caso tivesse algum pra afugentar.

O problema não é que os clientes que não aparecessem por lá, o problema é que os clientes deveriam se adaptar ao horário estipulado pelo proprietário do local e esses horários não eram exatamente interessantes para uma pessoa com fome ou que apenas quisesse fazer um lanchinho. Ah, você leitor, não deve estar vendo problema no fato dele deixar a lanchonete fechada na hora do almoço, né? Certo. Não teria mesmo problema, caso ele não tivesse uma plaqueta na frente do estabelecimento dizendo: "Servimos almoço. Prato feito, marmitex e self-service (não estava escrito bem isso, mas não lembro exatamente como ele escreveu "self-service")." Entendeu? Ele servia almoço depois do horário de almoço.

Um dia resolvi perguntar (sei que não devia ter feito isso) porque ele não abria na hora do almoço. Ele me respondeu, como se fosse a coisa mais normal do mundo, que abri um pouco depois do horário porque senão dava muito movimento e ele não conseguiria atender... Não preciso dizer mais nada pra encerrar esse parágrafo.

O que eu podia fazer, durante um tempo naquele mês, era comprar o lanche de tarde para comer de noite. Sem microondas, fogão ou qualquer possibilidade de esquentar o lanche, eu comia frio mesmo. No dia que entreguei o vale pra ele, o X-Tudo custava R$5,50, e já estava acima da média geral da cidade que era de R$5,00. Mas tudo bem, não era tão absurdo e eu estava usando o vale mesmo. No fim de semana seguinte já estava custando R$6,00. Esse valor, mais a latinha de Coca por R$2,00, e os duzentos reais não iam durar tanto quanto pensei. Resolvi que não ia mesmo comer todo dia. Umas três vezes na semana já estaria de bom tamanho.

Ele não vendia refrigerante de 600 ml e nem de 2 litros, pois não tinham uma boa saída. Quando ia alguma família comer lá, tinha que comprar uma latinha pra cada integrante da mesa. Papai, mamãe e dois filhos? Uma latinha de cerveja e mais 3 de Coca. Tenho certeza que se ele não fosse crente (o que vai explicar um fato que vou contar mais adiante ainda neste post, continue conosco), na hora em que eu disse que poderia comprar nem que fosse um estoque pequeno de refrigerantes de 600 ml e de um ou dois litros, apenas para quando fosse família ou alguém interessado em tomar um pouco mais que uma latinha (eu, por exemplo), ele teria dito: "Foda-se!" Mas o máximo que ele disse foi algo relativo a "ter comprado muito certa vez e não vendeu o suficiente e ele teve prejuízo e blá blá blá..."

Numa noite (que seria uma das 3 últimas que eu iria comprar com o que ainda restava do vale) de sábado, eu resolvi seguir direto da balada pra lanchonete e comer um lanchinho antes de ir pra casa. Não eram nem 3 horas da madrugada e eu cheguei e pedi um X-Tudo e reparei que a "casa" estava cheia. Acho que na maior parte dos estabelecimentos deste país capitalista isso seria motivo de alegria, mas não ali. Notei que o pessoal estava bebendo, cantando e curtindo o ambiente. O X-Tudo já tinha sofrido um novo aumento, só que dessa vez foi meio absurdo, R$7,50. Gente, estou falando de um prazo de uns 20 dias. Isso apenas significou que eu apenas compraria esse lanche e usaria o restante do valor do vale e nunca mais pisaria no local. Sei que e alguns locais do Brasil, esse é o preço normal. Em alguns lugares é até mais caro, mas aqui a média de preço fica entre R$5,00 e R$6,50, ou seja, o dele estava R$1,00 acima do lugar mais caro. De repente vi que um cliente ao meu lado pediu uma cerveja e o proprietário disse que já tinha acabado. Ok, o cara vendeu tudo. Lucro, ah o lucro! Notei que o pessoal começou a ir embora.

Meu lanche chegou e eu fui comendo tranquilamente e vi a lanchonete se esvaziar. Isso eram umas 3:10 h. O proprietário veio e me disse algo que realmente eu nunca pensei ouvir de um "comerciante": "Cê vai demorar muito pra comer esse lanche? É que nós já vamos fechar!" Sim! E "indiretamente" me expulsou do estabelecimento. E se não bastasse isso, ainda me explicou uma "tática" sensacional que ele utilizou para que os clientes não ficassem até muito tarde: "Deixei só um pouco de cerveja ali no freezer da frente, pois enquanto tiver cerveja o pessoal continua comprando e daí eu teria que varar a madrugada atendendo. Ainda tem cerveja lá dentro, mas eu disse que acabou porque quero fechar antes que o clube ali feche e o pessoal venha todo pra cá." Esse cara era o rei dos empresários.

Tudo isso aconteceu em Março do ano passado. Depois disso eu nunca mais pisei lá. Eu vi que o "chaveiro" que era do lado do estabelecimento aumentou de tamanho, ficou mais bonita a loja. Mas algo que eu não tinha notado é que a lanchonete fechou. Agora dois fatos interessantes são que, a lanchonete era na frente da rádio, a gente descia as escadas e dava de cara com ela e o outro fato é que eu notei que a loja do "chaveiro" tinha aumentado, mas a experiência com a lanchonete foi tão traumática, que eu não percebi que tinha aumentado pro lado onde existia a antiga Sem Gosto Lanches. Não tenho muita certeza, mas acho que já faz pelo menos um ano que fechou...

14/08/2009

Compra um relógio pra você...

Acordei com muitas dúvidas. Durante o dia as dúvidas só aumentavam e minha cabeça já estava a ponto de explodir (e acho que o cheiro não seria agradável). Eu teria que pedir as contas pra voltar pra minha velha (e chata, e mal administrada e quase um cu) cidade. Pensei em pedir e pensei em não pedir. De todos que trabalham comigo, apesar de alguma irritações cotidianas, apenas o coordenador realmente me irrita 100% só de chamar meu nome. Bem, ele me ajudou a tomar a decisão que já estava tomada.

No dia anterior eu utilizei o estúdio de gravação para gravar um off (somente voz) de uma propaganda de rua para o meu irmão. O coordenador viu que eu estava gravando e não disse nada. Não perguntou. Deixou como estava. Quando eu estava em casa, no MSN com minhas amigas que trabalham na rádio, elas me contaram que ele estava me proibindo de gravar novamente no estúdio, queria saber o que eu tinha gravado e que a porta do estúdio ficaria trancada no meu horário. OK! Eu já gravei textos para ele, que eram de rádios de fora, não sei se ele até não recebeu algum dinheiro às minhas custas. De vez em quando o produtor viaja, ou sai mais cedo pra ir estudar, e este mesmo coordenador me pede para fazer gravações de áudio para que vão ao ar com urgência.

Primeira coisa que eu não gostei foi o fato em si. Eu não poder gravar um áudio pro meu irmão? Já acho uma sacanagem. Mas o coordenador não ter a decência de ME perguntar o que eu estava fazendo? Simplesmente proibir (poder que aliás ele não teria, já que se eu não tivesse pedido as contas, continuaria sim a usar o estúdio) para dar uma de bom e ainda ficar perguntando pra outros o que eu estava fazendo? Me dizer que se alguém visse iria cobrar dele? Se alguém visse (além dele que viu), provavelmente me perguntaria, ou no caso dos patrões da rádio, nem ligariam, pois são gente fina.

Aliás, ele é coordenador, mas sempre se auto-intitula “Diretor”. Pra mim nunca foi, e agora ainda menos será. Mas pelo menos com esta palhaçada (que foi uma das muitas), ele me ajudou a decidir. Mas não sei se não vou me arrepender. Sei que o mercado de trabalho para locutores aqui em Santa Catarina é bem melhor que no Paraná. No Paraná tem ótimos profissionais que trabalham a preço de banana (de época). Não estou indo com emprego garantido. Mas realmente, eu com problemas familiares, tendo meu trabalho como única maneira de realmente desestressar, tendo que aguentar este figura, não dá.

Sei que existem chefes piores. Ô se existem. Já trabalhei com um que se não era pior, pelo menos se assemelhava. Mas tinha uma diferença básica... Era o dono da rádio. Agora o coordenador, tem que formar uma equipe de trabalho que ajude a atingir metas pra empresa ou ter um relacionamento que faça com que os funcionários queiram lhe ajudar. Isso porque todo mundo sabe que coordenador não é "chefe", como ele acredita. Ele apenas tem que organizar as coisas, para os chefes. Mas um cara que consegue estressar todo mundo durante o dia inteiro, não tem como organizar nada.

Eu sou um cara que opina. Sou um contraditor nato. Se eu não concordar, dificilmente eu baixo a cabeça e digo sim. Talvez se eu tivesse feito mais isso, e tivesse sido mais puxa-saco, ou tivesse tentado expor menos as minhas opiniões, hoje em dia eu estaria num lugar melhor em alguma empresa... Mas estaria de saco cheio. Pois eu odeio não poder dizer o que penso. Odeio dar uma idéia e o cara simplesmente odiar a idéia porque não é dele.

Óbvio que nem toda idéia que eu tenho é boa. Nem sempre eu estou certo. Mas isso tem que ser discutido até chegar numa solução interessante. O duro é ter que fazer apenas o que o coordenador quer, porque só ele está certo, porque só as idéias dele são boas, porque só ele pode opinar, porque só ele decide tudo... Pior ainda é quando ele não consegue organizar coisas mínimas. Coisas que eu conseguiria organizar com duas ou três palavras. Sem brigas ou exigências escabrosas. Sem aquele hábito de senhores de engenho, de ver uma pessoa parada tomando café e já arranjar algum serviço pra ela.

Aqui na rádio já está dessa maneira. Quando a gente chega no trabalho, tenta cumprimentar as pessoas só com um sorriso ou um movimento de cabeça. Nada de: "Oi, e aí, como vai?" Porque ao ouvir nossa voz, ele imediatamente "inventa" um serviço. Não sou contra os serviços em si. Mas a necessidade ou urgência de chamar a gente na sala dele e ficar uma hora explicando algo que já foi entendido no primeiro parágrafo da conversa realmente me irritam. No post anterior eu já disse o quanto sou impaciente. Quero terminar o serviço logo, mesmo que tenha que fazer outro depois. Então imaginem o que é ficar ouvindo alguém te explicar que tal coisa tem que estar pronta por tal motivo porque vai ser melhor assim e por tal motivo porque assim que eu quero e assim vai ficar melhor e colocado desse jeito, mas talvez fique melhor se for dessa maneira e blá blá blá... Sendo que apenas o "isto aqui precisa ser feito em no máximo meia hora" já resolveria.

Depois diz que não sobra tempo pra nada. Também... Ficar chamando todo mundo, toda hora e ficar explicando como se estivesse explicando pra crianças de 3 anos de idade (mas com palavrões e gritos a mais) acaba realmente tomando muito tempo dele e de que quer simplesmente trabalhar.

Eu já briguei com outros patrões (inclusive aqui), mas pra chegar num consenso. Agora com esse, nem dá pra brigar, melhor se calar. Mas já aviso, se tiver algum patrão lendo isso. Se o funcionário discutiu com você uma vez, duas, três e de repente resolveu simplesmente concordar com tudo que você diz... Não, ele não te respeita. Pode até ter medo de você, ou em alguns casos, como eu, simplesmente não querem mais saber de nada. Tive uma briga com o administrador da rádio há algum tempo atrás, mas quando ele veio realmente conversar comigo, ele acabou entendendo algo simples de se entender, que se eu realmente não estivesse preocupado com o bem da rádio, eu simplesmente me calaria.

Se eu não estou contente ou não quero nada de bom para a empresa, eu simplesmente peço as contas e vou embora. Eu sou assim e ponto. Se eu não posso opinar, não posso dar alguma idéia e tenho que trabalhar igual um robô, que é algo que em algumas empresas isso funciona, porque são serviços práticos e fixos, mas não em rádio, que é comunicação e dinamismo. É criatividade, é variedade e é alegria. Claro que nós radialistas temos que ter a capacidade de transmitir alegria ao ouvinte mesmo que a gente não esteja alegre. Mas todo dia ter que aguentar o cara criando empecilhos ao nosso trabalho? Pior, proibindo que a gente fale ou faça, tudo o que ele faz e fala.

Parece absurdo, mas ele começou a cortar certas piadas que eu fazia, reclamou de coisas que eu falava no ar que não eram éticas para uma empresa, que não era pra ficar gritando ou rindo no ar... OK! No outro dia ele contou uma piada muito mais sem ética (sobre gordos) e riu que nem uma louca... "Faça o que eu digo e não o que eu faço" é um dos slogans dele internamente. O problema é que fazer o que ele diz e não o que ele faz fora do ar é uma coisa. Mas no ar? Quer dizer que a gente tem um coordenador que tem medo de concorrência.

Eu poderia falar muito mais mal do cara nesse meu desabafo (mais um, que chato isso está ficando), mas mesmo assim eu vou sentir saudades desta rádio. Fiz poucos amigos (as), vários colegas de trabalho e uma sub-inimizade. Pois assim como sei que ele não tem raiva de ninguém, apenas tem o hábito de ser um patrão das antigas, eu também não tenho raiva dele. É um grande profissional que se conseguisse se atualizar, seria ótimo, pois entende bastante de rádio. Mas realmente nós não nascemos um para o outro... Digo, um para trabalhar com o outro.

claro que não estou saindo da rádio por causa dele (apesar dele ser um motivo forte), pois se fosse só por causa dele, eu usaria aquela máxima: "Morrer pela pátria? Não! Prefiro que o inimigo morra pela pátria dele!" Continuaria brigando, discutindo, e sendo contraditor até a hora em que ele desistisse de ser desagradável, ou simplesmente de ser chefe.

Ah sim, se você não entendeu o título, você não deve te visto a propaganda do Dia do Sexo. No caso, acho que esse coordenador precisa muito tirar o atraso dele.


11/08/2009

Quem cedo madruga...

Sempre dormi tarde, aliás, por causa do meu problema de insônia, às vezes nem durmo. Atualmente eu trabalho na parte da tarde, o que me faz dar ainda menos importância ao fato de acordar cedo. Esses dias eu assisti uma entrevista do José Serra para o Jô Soares. O Jô citou exatamente este fato e isso me pegou no laço. Nos comentários do Jô, tanto ele quanto o governador de São Paulo têm o hábito de dormir e acordar tarde, o que muitas vezes é mal visto, pois trabalhador é quem acorda cedo e fica o dia todo no batente.

Eu gosto da noite. Não pra sair e curtir balada, isso também, mas eu gosto de estar em casa e ficar na net até tarde, escrever, estudar, ter novas idéias e até mesmo assistir TV. Conheço muita gente que acorda cedinho e vai trabalhar, tanto por obrigação, quanto por costume mesmo. Mas também percebo que muitas destas pessoas levam um tempão fazendo um serviço que eu faria em menos de um terço do tempo. Isso é hábito perigoso. Não que o que eu faça seja mal feito e o de outros mais "cuidadosos" seja melhor.

Acho que eu tenho muita pressa em fazer as coisas. Quero ver feito o mais rápido possível e isso às vezes é mal visto pelos patrões. Como assim? Se você é um cara que trabalha rápido, faz várias coisas e consegue terminar tudo que precisa e é sua obrigação rapidamente, por que os chefes não gostariam? Eles gostam. Mas começam a te dar cada vez mais serviço. E quando alguém fica o dia inteiro fazendo um serviço só, devagar, enrolando e tal, o patrão não passa mais anda pra ele, pois acha que ele está trabalhando demais. No caso, fazer 5 ou 6 serviços rapidamente, nos fazem parecer que trabalhamos menos que alguém que faz o mesmo serviço devagar o dia todo.

Quantas vezes já vi meus patrões e até alguns conhecidos dizendo que tal pessoa trabalha demais, pois fica o dia inteiro na empresa. O cara é trabalhador, pois acorda às 7 da manhã e trabalha até as 6 ou 7 da noite. Certo. Eu já fui chamado de trabalhador, e foi na época em que me senti mais inútil. Pois eu tinha que entrar na empresa às 7 da manhã e sair apenas às 7 da noite. O problema é que às 10 da manhã eu já tinha terminado o serviço. Ficava lá apenas pra cumprir horário. Já tive trabalhos elogiados por muita gente, que foram feitos em menos de 20 minutos.

Como trabalho sempre com áudio e produção de texto, eu tenho uma velocidade absurda para criar ou, no caso, montar textos comerciais. Eu crio um texto e gravo em poucos minutos. Conheço gente que não consegue fazer mais que 5 ou 6 por dia. Ficam horas e horas testando os melhores efeitos, as melhores maneiras de deixar a voz comum grave estupendo e no fim das contas gravam um comercial que o cliente odeia... Tem tantos efeitos que não se consegue ouvir a voz do locutor e em alguns casos não dá pra entender o que foi dito sobre a loja. Fora o tempo gasto na produção, que faz o comercial demorar mais pra entrar no ar. Não estou falando deste ou daquele. Vários produtores de áudio com quem trabalhei fazem isso.

Não sou contra superproduções. Quando recebo um rascunho de um texto de comercial que vai entrar no ar só no dia seguinte, eu também gosto de testar coisas. Mas eu prefiro testar idéias. Testar a melhor maneira de mostrar o produto ao ouvinte. Se for um texto longo, tem que te algo pra prender. Se for um texto curto, tem que ser objetivo sem ser sem graça. Se precisar ter efeitos especiais, que eles ajudem a interpretação e compreensão, não se transformem no único diferencial do texto.

Rádio é dinâmico. Acho que sempre fui dinâmico também, até porque meu ex-patrão prezava mais a quantidade que a qualidade. Mas isso nunca me impediu, por exemplo, de criar um texto, gravar a voz, produzir, colocar no ar e logo em seguida criar um outro texto com mais cuidado para substituir depois. Mas tudo isso são apenas alguns detalhes. E também estou dizendo isso apenas pra dizer que nunca precisei acordar cedo (a não ser quando era realmente o meu horário de expediente) para fazer o meu trabalho satisfatoriamente bem.

Ultimamente estou ocioso demais. Trabalho apenas duas horas por dia na locução, e mais uma hora ou duas fazendo programação e colocando alguns programas no ar. O restante do dia poderia ser aproveitado com outras coisas, eu sei. Mas no fim, acabo ficando com mais tempo inútil. Tempo que eu acabo jogando fora com internet, TV e outras coisas fúteis. Acho que vou ter que mudar meu modo de vida.

Aliás, falando nessa ociosidade, eu fico com tanto tempo livre, e acabo não escrevendo nada aqui no blog, porque também não acontece nada que seja digno de um post. Eu não pretendo me tornar um workaholic, mas realmente pretendo redistribuir meu tempo livre. Vamos ver no que dá. Aguardem cenas dos próximos capítulos...

PS: redistribuir o meu tempo depois do serviço, pois não vou acordar cedo apenas por acordar nunca.

08/08/2009

O pai (ação)...

Sim. O título do post é um trocadilho óbvio. Noto um detalhe já importante em minha vida. Durante 30 anos eu fui filho e passei umas 3 ou 4 vezes longe do meu pai, ou seja, cerca de 10 a 14%. Sou pai há pouco mais de um ano, e já é a segunda vez que passo longe da minha filha... 100%!!! Ano passado ela ainda não estava morando aqui e esse ano, por coincidência gente viajou lá pro Paraná na segunda metade do mês de Julho, e minha mulher resolveu ficar 30 dias lá... Ou seja, de novo passo o dia dos pais longe de minha filha. Sei que o Dia dos Pais, assim como das mães, crianças, Natal e etc. são apenas datas para o capitalismo selvagem comemorar e tal... Mas que bate um sentimentinho diferente, isso bate.

Mas não escrevi este post pra chorar não. Tô tranquilo... (snif, snif) É só pra realmente dizer que eu gosto das datas comemorativas. Mesmo elas sendo nada mais que uma maneira das lojas venderem mais nessa época e tudo o mais. Talvez por eu trabalhar com comunicação e tudo o mais, eu me ligue muito nessas datas. Nessa época a gente grava mensagens para os pais, fala sobre várias promoções para presentes pros pais (que muitas vezes pagam pelos próprios presentes... né?) e todo mundo começa a parabenizar todo mundo, falar sobre reunião de família, fala de Deus e cita todo tipo de sentimento "fofuxo" e carinhoso.

Lembro-me de ter chegado pro meu pai no ano passado e dito: "Pai, eu te amo!" Claro que eu amo mesmo. Mas eu disse isso só de zueira... Por que zueira? O máximo que meu pai conseguiu dizer (apesar de também me amar) foi: "Papai também!" É difícil pra ele dizer isso. Vem da criação e tudo o mais. A gente ama nossos pais, mas até a gente lavar a cara e dizer isso é coisa de muitos anos de treino. E quando a gente chega e fala isso pro pai da gente, depois da gente ter treinado tanto, pra ele é um tiro à queima roupa. O coitado não tava esperando. Fica sem reação. Tenho certeza que agora ele vai começar a treinar também... Daqui uns 8 ou 9 anos, ele consegue dizer: "Papai também... te ama!" Vou filmar esse dia! Com câmera escondida, claro. Mas vou.

Eu nunca fui muito de dar trabalho pro meu pai. Fui um adolescente meio bundão, daqueles que o máximo de rebeldia que conseguia fazer era faltar um dia na aula, e ainda ficava com dor na consciência. Acho que a única coisa naquele tempo que deixava meu de cabelo em pé (figuradamente, já que a calvície é mal de família), era o fato de eu estar com 16 anos e nunca ter namorado. Recentemente numa conversa de família ele deixou escapar que achava que eu seria "gay". Isso se dava exatamente, pelo motivo de ele não ver nenhum guri com mais de 13 ou 14 anos que ainda fosse pelo menos levemente virgem, ou que não falasse de meninas e tal. O detalhe é que eu comecei a namorar com 16 anos. Tive uma namoradinha de 2 meses. Minha segunda namorada (com quem perdi minha virgindade) se tornou minha esposa. Nesse dia meu pai se sentiu orgulhoso. Casei muito cedo, aos 18 anos e cinco anos depois me separei. Mas pelo menos, aos olhos do meu pai já tinha provado minha macheza.

Me separei e me tornei um "galinha" no sentido geral da palavra. Mas o duro é que eu já tava acostumado a viver com uma mulher do meu lado o tempo todo. Não dava mais pra ficar curtindo baladas. Arranjei outra namorada. Casei de novo. Agora tenho uma filha. Agora também sou pai. Diferentemente do meu pai, eu torço pra minha filha só começar a namorar lá pros 30 anos (né, Iza?). Mas eu não sei se por minha filha ser uma menina, ou por ainda ser um bebê, ou porque os tempos são outros... Mas eu digo que amo umas 30 vezes por dia, no mínimo. Não sei se isso vai mudar com o tempo, mas uma coisa eu sei... Ser filho é bom e ser pai é sensacional.

Nunca entendi como os pais da gente são tão bobos. às vezes deixam de fazer alguma coisa pra eles, pra fazer alguma coisa pelos filhos. Fazer empréstimo pra comprar um carro é ridículo nessa atual situação (estou falando da atual situação de 12 anos atrás), mas fazer um empréstimo pra fazer uma festa de casamento pro filho é normal. Alguns podem dizer que é o pai da nova que dá a festa e blá blá blá, mas na nossa realidade isso é bobagem. Os únicos que não gastam nada com a festa, são os noivos. Os pais, tanto da noiva, quanto do noivo, gastam até o que não podem.

Meu pai morava de aluguel naquela época, mas tinha uma data (um terreno) e resolveu construir uma casa pra que eu pudesse morar, até que eu tivesse melhores condições pra morar... Morei lá até o dia em que me separei e ainda voltei a morar lá depois, quando me casei de novo. Agora estou morando em outro estado e ele aumentou a casa pra ele e minha mãe morarem. Mas toda vez que surge alguma possibilidade de eu voltar lá pra perto, ele já começa a fazer planos. Vai reformar a casa que minha vó morava, pintar, fazer brinquedos pra netinha e etc. Ou seja, meu pai é bobo demais pra mim e pro meu irmão. Faz de tudo pra facilitar a nossa vida sem se importar com as dificuldades dele.

Mas quando eu digo que ele faz de tudo pra gente não ter dificuldade, também não quero dizer que ele sempre nos deu tudo que queríamos de mão beijada. Mas pelo menos tudo que estiver dentro de suas possibilidades, ele faz sim. Mas nunca deixou (ou gostou) que a gente gastasse dinheiro com bobagens. Lembro-me bem (e acho que até já citei isso aqui no blog há algum tempo) quando pedi dinheiro pra ele pra comprar um boneco dos Comandos em Ação. Era caro na época (hoje em dia existem lojas de importados por R$1,99, mas naquele tempo não) e quando eu cheguei com aquele soldadinho, meu pai disse as célebres palavras que eu nunca vou esquecer: "Moleque fiadaputa! Você gastou Cr$11.000,00 com uma boneca????" Isso e o fato de eu não ter nenhuma namoradinha, não ajudaram muito nos pensamentos de meu pai sobre minha opção sexual (que era algo que eu nem sabia o que era).

Eu ia escrever apenas um textinho pra não passar em branco, mas já vi que rende assunto. FELIZ DIA DOS PAIS... Pra todos que são ou serão pais. Alguém notou que esse é o terceiro post em 3 dias??? Não se acostumem não...

07/08/2009

Café, o phodástico...

Interessante este fato. Eu ia colocar isso como update no post anterior, no qual eu falei sobre meu vício sobre o café. Mas daí, hoje me deparei com o programa Globo Repórter, e como tudo que a Globo mostra vira lei, acho que o que eu disse no post anterior ficou velho e obsoleto. Interessante que eles disseram que o café ajuda a combater o diabetes, e na minha família têm casos deste problema de saúde. Disseram também que o café não faz mal e que ainda por cima pode deixar as pessoas inteligentes... Só posso dizer uma coisa:

É o café!!!

Por isso essa genialidade me acompanha o tempo todo, desde o início de minha vida. Agora percebo porque sempre fui o maior cdf, sem ser cdf. Era o cara que não tinha saco para estudar em casa, fazer tarefa era um ânus para mim, e no entanto tirava boas notas. Era o café o tempo todo.

Agora sei que na verdade, o meu vício não deve ser abandonado de jeito nenhum. Talvez, até por eu sempre ter dependido do café para ser inteligente (heueuheuheuheuhuee, talvez eu insistindo alguém acredite), eu não posso parar. Se eu parar é capaz de me tornar uma cópia de Theo Becker... Sem a fama. Ou pior, uma cópia da Mulher-Samambaia sem a bunda bonita.

Eu fico me imaginando como uma pessoa burra. Provavelmente eu ia tentar algum tipo de emprego no ramo das comunicações, ia ler apenas coisas ligadas a diversão e nunca me ligar em notícias realmente relevantes, ia criar um blog para difundir o meu humor burraldo e anárquico (essa do "humor anárquico", eu devo ao Rob) e ainda ia tentar sempre disfarçar minha burrice com tiradas espertinhas... Hum... Difícil mesmo imaginar isso.

Só sei que eu quero morrer careca se algum dia eu me tornar uma pessoa burra. Claro que o fato de eu já ser careca me ajuda nesta decisão, mas até aí, dizem que é dos carecas que elas gostam mais. Dizem que os carecas tendem a ficar ricos, a serem mais inteligentes e mais um monte de mentiras apenas pra que a gente não se torne depressivo pela falta de cabelo.

Comecei este texto falando de café e já estou falando de careca. Realmente eu não consigo levar um assunto até o fim. Sempre acabo partindo para um outro assunto. Ai, ai... Eu me assassino de vergonha.

Café, o vício...

"Sempre comentei aqui que gosto exageradamente de café, e se eu nunca comentei, me parece que comentei porque o café me deixa eufórico e parece que eu já disse ou fiz algo. Sobre minha insônia eu sei que já comentei e não vou linkar o post porque estou com preguiça de procurá-lo. Esta preguiça, além do normal, vem exatamente da minha tentativa de diminuir o consumo de café. Ontem eu tomei duas xícaras (grandes, claro) e anteontem apenas uma. Sei que o correto teria sido duas anteontem e uma ontem, mas é que ontem o café estava mais bem feito.

Não é o café. Em casa eu consigo me contentar e tomar suco, refri, chá, leite com chocolate ou qualquer coisa assim. Mas fico o dia inteiro querendo beber algo. O problema é que o café está sempre à minha disposição. Tem em casa, tem no serviço, tem na casa da minha mãe, enfim... Persegue-me. Meus dentes são as piores vítimas do café, mas mesmo assim eu não crio vergonha. Ou era o que eu pensava.

Ao contrário de outros vícios, nos quais as empresas até pagam para ajudar a pessoa a se livrar, nenhum patrão vai pagar para me desintoxicar de café. Tenho que ser forte e lutar sozinho. É uma luta árdua. Reuniões acontecem na sala com cafezinho, brincadeiras, bate-papo e todo o tempo livre que a gente tem é aproveitado na cozinha onde fica o cafezinho. E como meu organismo é totalmente predisposto ao consumo de líquido negro, eu tenho recaídas constantes.

É difícil chegar na cozinha e ver aquela garrafa de café com aquele olhinhos tristes de desenhos japoneses (ou parecidos com os do Gato de Botas) e não me sentir atraído. A fumaça subindo na xícara com seu rebolado sensual me faz querer cada vez mais me aproximar e beijar aquela xícara. Sugar o que está lá dentro é como estar tendo um orgasmo ao contrário... Não por ser ruim, mas por ser preto e estar sendo para dentro. Sei lá, essa parte do texto ficou meio gay, mas não importa. Minha mãe é culpada por eu ter este vício (Freud explica), pois ela também o tem.

Desde sempre eu tomo o melhor café feito no mundo, que é o café que minha mãe faz. Não tinha como eu não me viciar. Numa época em que tentei me livrar de verdade da dependência ao café, eu cheguei a querer tomar água da chuva escorrendo na terra... Não tomei porque parecia mais chocolate que café. O duro é a gente tentar se esquivar, mas chegar no mercado negro (ou seja, a seção de café), temos que nos deparar com várias marcas, belos pacotes, promoções e até alguns brindes, como na época em que o café Itamaraty dava uns carrinhos de brinquedo. Nessa época eu queria acabar ainda mais com o café, para que minha mãe comprasse mais e eu tivesse ainda mais brinquedos. Cheguei a jogar fora o pó que estava na alta pra minha mãe ir comprar mais.

Imagine o que isso fazia com uma criança. Brinquedos no café? Isso também ajudou muito no meu vício. Mas estou fazendo um trabalho difícil, pesado e que exige muito esforço. Mas vou conseguir. Minha luta contra o café será vencida pelo lado mais forte... Se bem que um café forte também é bem gostoso e... Não! Eu vou resistir. Nem aquele delicioso aroma e aquele brilho da luz refletida dentro da xícara vão me fazer fraquejar. Serei rude se preciso for. Direi na cara do café que ele não me encanta e não me engana mais. Cuspirei na sua face doce e amarga ao mesmo tempo. Terei que cuspir apenas figuradamente, pois literalmente eu posso apanhar das outras pessoas que querem tomá-lo.

Ah, café. A mim você não vai destruir. Vou me livrar de minhas noites de insônia (como esta em que escrevi este post às duas da madrugada sem uma pitada de sono). Vou mostrar para você que você não pode ser mais forte que eu. Vou pensar em você apenas como café requentado, que é horrível. Não dá pra requentar café. Nem microondas faz este milagre. Pra mim, mesmo que você esteja fresquinho, eu lhe verei como um café de ontem. E nem adianta vir se oferecendo com leite. Aproveitando que o leite baixou o preço novamente... Não, não. Serei firme. Vou tomar café apenas socialmente, ou então, acabarei de vez com este vicio e não tomarei de jeito nenhum.”

Bem, depois deste ensaio em frente ao espelho, vamos ver se realmente tenho coragem de dizer e fazer tudo isso.

06/08/2009

Eu tive um sonho...

Que um dia este blog seria tão grandioso, mas tão grandioso que você iria precisar de um monitor de 32 polegadas para visualizá-lo corretamente. Queria transformá-lo num blog a ser seguido (e até já tem 14 seguidores), um blog que demonstraria o quanto é bom ser um blog, um blog que tivesse muito a dizer... Não rolou. Mas como sou otário brasileiro e não desisto quase nunca... Vou continuar escrevendo para esta corja o meu público fiel. Para os leitores que vem aqui todos os dias (santos) pra ver se tem algum post novo, e quebram a cara. Hoje tem post novo...

E é um post tipo demo (coisa do capeta), ou seja, vai tentar demonstrar como será o blog daqui pra frente. Teremos mais stand-ups, que são as comediazinhas tão queridas (?!?) pelos leitores deste blog inimitável (como se alguém quisesse imitá-lo). Aquelas comédias em que o humorista se apresenta em pé. Como os textos do blog são escritos, é claro que são mais comédias sentadas mesmo, mas isso não vem ao caso.

Teremos mais textos de cotidiano, daqueles que demonstram como é bom rir da desgraça alheia. Eu sei, pois adoro rir dos caras que escrevem sobre seus cotidianos e se fodem a cada 3 ou 4 linhas.

Teremos mais textos que viajam na maionese (alguém reparou no marcador Maionex???), ou seja aqueles textos que eu escrevo quando estou no mundo da lua ou mesmo pensando na morte da pequena e querida bezerra que se foi tão precocemente.

Outros tipos de textos também surgirão, como as já conhecidas homenagens aos meus amigos blogueiros... O que na verdade é apenas um meio de plagiar safadamente os bons textos que surgem mundo bloguístico afora.

Comentem neste post, pois o próximo só vira quando esse alcançar pelo menos 120 comentários (ou seja, só em 2.034, no dia 4 de dezembro, por volta das 17:22h).

Brincadeira... Se chegar em 119 já terá post novo.