Acho que tudo tem um motivo. Percebo agora que eu não tinha vontade de escrever neste blog. Sério. Era falta e vontade mesmo. Sei que meus leitores merecem respeito, e acreditem, foi por isso mesmo que eu evitei escrever nos últimos meses. Pois por respeito não queria escrever qualquer coisa aqui. Meus textos tem que ter um motivo. Um motivo pra rir ou pra chorar, mas tem que ser motivados. Durante esta semana eu comecei a entender um pouco do meu problema em escrever. Um dos motivos de eu não querer escrever sobre nada.
Minha vida não está ruim. Aliás, pelo contrário, eu até estou bem com minha filha cheia de saúde e eu e minha senhora ganhando razoavelmente bem. Pelo menos bem em relação ao que ganhávamos até algum tempo atrás. Então continuo trabalhando, criando meus comerciais de rádio, produções de áudio, curtindo minha filha, lendo gibis, assistindo séries e filmes, muita coisa da TV aberta também, mas não tinha vontade de escrever.
Essa semana eu descobri o motivo. Me lembrei de quando comecei a escrever este blog e lá se vão 5 ou 6 anos. Quando comecei a criar a estrutura do blog eu escrevia notícias. Depois de um tempo resolvi escrever o blog como a coluna de humor que escrevia para jornais locais (por isso o blog tem este nome). Um dia resolvi que seria blogueiro. Mas não queria ser blogueiro para colocar fotos engraçadas ou vídeos (apesar que a idéia dos vídeos ainda está se desenvolvendo, para talvez eu criar alguns e colocar aqui, mas isso é pro futuro). Não queria ficar copiando piadinhas por aí afora, pois essas piadinhas já tinham nos e-mails, pra que ler num blog. E então eu entrei numa comunidade blogueiros.
Nessa comunidade eu conheci muita gente boa. Alguns me ajudaram com o layout do blog (naquele tempo não era só ir mexendo o mouse, era mais complicadinho), outros me davam dicas de postagens e por aí vai. Mas nesta comunidade eu conheci alguém que me inspirava. Me fazia querer escrever cada dia melhor. Me fazia querer escrever cada dia de maneira mais diferente. Tudo que eu escrevia para precisar da aprovação dele... Isso não significa que eu mostrava todos os textos pra ele. Apenas que eu pensava: "Acho que esse aqui ele iria gostar!" Isso era importante pra mim. Parece que quando eu escrevia algo ruim, ele poderia até não dizer, mas com certeza eu imaginaria que ele estava dizendo: "Porra, viado! Você escreve bem melhor que isso! Aliás, até meu cachorro escreve melhor que isso!" E sim, alguns textos eu publiquei mesmo assim. Mas depois de alguns dias lá estava eu mexendo naquele texto pra ele ficar melhor. Até que eu sentia que pelo menos ele diria: "Ok, não está genial, mas passa!"
Me lembro de uns dois textos que escrevi em que ele disse (não apenas eu imaginei, ele entrou no msn e disse): "Cara, ficou muito foda! Parabéns!" Estes textos eu fiquei com vontade imprimir e emoldurar, pois eles foram com certeza alguns dos melhores da minha vida. Mas teve um dia, um texto em que resolvi fazer a versão escrita e a versão falada. Não era um podcast, era exatamente o mesmo texto escrito, falado por mim. Ele entrou no msn e disse: "Cara. Essa sua idéia foi genial!" Sim, ele utilizou a palavra "genial". Neste dia eu me senti como o escritor de um grande best-seller, um grande clássico... Neste dia eu me senti muito foda.
E sempre trocamos idéias. Pensamos em fazer postagens juntos, mas eu sempre fui meio cagão nesse sentido, pois eu tinha medo de não escrever tão bem quanto seria necessário ao escrevermos algo juntos. E por fim veio o bloqueio de escrita. Isso aconteceu há algum tempo. Foi na época em que ele lançou seu livro de crônicas. Quando ele lançou este livro eu me senti orgulhoso. Foi orgulho de pai pra filho, ou de filho pra pai, não importa já que nossa idade regula. Eu pedi uma cópia autografada. Obviamente não pedi de graça. Amigos não pedem para um cara dar de graça o seu trabalho. Isso não é amizade. Amizade foi eu pedir o livro autografado direto pra ele e ele me enviar dizendo que se o dinheiro não cobrisse o frete, ficaria por conta da casa o envio.
O livro chegou. Eu já li mais de 3 vezes e cada vez uma das crônicas se torna minha predileta, o que ignifica que até hoje não sei qual é a preferida de verdade. Creio que assim como ele escreve algo que significa algo num determinado momento, eu leio com um significado diferente em cada vez que leio. Daí eu coloquei link no meu msn para a compra do livro dele (não porque ele pediu, pois ele não faria isso e eu seria ridículo se não fizesse isso sem ele pedir) e queria dizer pra ele que adorei o livro. Mas daí a coisa complicou.
Nunca mais o vi no msn. Ele simplesmente sumiu. Para mim ele tinha me bloqueado. Pensei que eu tinha feito algo errado. Será que eu disse algo? Será que algum comentário meu foi levado a sério de uma maneira que eu não esperava? Será que... Bem, vários "serás" me vieram na cabeça. Mas o que importa é que eu não quis mais escrever. Acabei parando até de comentar no blog dele, porque para mim poderia ser que algum comentário meu só pioraria a situação. Se eu fiz algo errado, só poderia pedir desculpas, mas como fazer isso? Não sei.
Não comentei mais, mas continuei lendo. Todo dia eu passava pelo blog pra ver se tinha texto novo. E tinha. Mas o que começou a me deixar triste foi o teor dos textos. Já não eram aqueles textos que faziam o dia alegre ou mesmo me fazer passar vergonha rindo alto na frente do computador. Eram textos tristes. Apesar de continuar sendo "os filhos" dele, pareciam mais filhos adultos e cheios de problema e não filhos crianças alegres ou adolescentes rebeldes. Eram textos ótimos, mas que só me faziam querer conversar com ele. E como nosso único contato era pelo msn ou pelo blog. Me senti acuado. Cada dia que ele se entristecia, eu me entristecia. Era um amigo meu, que eu nunca vi pessoalmente, mas criei vínculos.
Tudo pelo que ele passou, eu queria dizer que tudo bem, que isso passa, que eu já passei por algo parecido e aquelas coisas que parecem não fazer efeito, mas que pra mim fizeram muita diferença. Mas por sorte ele tem uma família espetacular, amigos próximos e seu cachorrinho... Todos estes parecem estar fazendo muito bem para ele. E torço para que seja feliz... Muito feliz sempre.
Estou escrevendo este texto exatamente porque esta semana eu descobri que ele não me bloqueou (foi a primeira vez que tive coragem de comentar e ele respondeu) e nem nada. Ou seja, eu tinha criado um bloquio no msn e na minha criatividade e vontade de escrever. Mas quando ele disse que apenas tinha parado de usar o msn, isso me fez ter vontade de escrever. E quando eu fico com vontade de escrever saem estes textos longos que pouca gente vai ter paciência de ler. Mas este texto é feito para uma pessoa. Para um amigo que eu só conheço pela internet, mas que faz parte da minha vida. E aqui, na internet, enquanto eu continuasse achando o que eu achava, eu não conseguiria mais escrever. Nem textos engraçados, nem tristes, nem nada.
Este texto e todo este blog é dedicado ao meu amigo Rob Gordon. Rob, você é foda!
3 .000 leitores doloridos:
Gomex:
Eu fiquei literalmente sem palavras depois de ler este post. Até comentei com a Ana que queria ler mais uma vez antes de comentá-lo. E o resultado é que acabei lendo umas quatro vezes antes de vir aqui comentar.
Você foi uma das primeiras pessoas que conheci quando comecei a blogar. Sim, estou falando das "saudosas" comunidades de blogs do Orkut. De lá, com o tempo, fomos para o msn e aí aconteceu tudo isso e - mais volume de trabalho e outros problemas externos - acabei me isolando um pouco de tudo. Queria ter seguido um caminho diferente, mas muitas vezes essa escolha não é nossa. Enfim...
Meu ponto é: apesar de nosso contato ser bem pouco, hoje, ainda tenho você como um puta de um amigo, seja para trocar ideia sobre textos, seja para conversar sobre quadrinhos, seja para apenas falar bobagem e perguntar rapidamente, em meio a correria do dia a dia, "como você está? está tudo em ordem?"
E isso nunca mudou, nem vai mudar. Fico honrado pra caralho (excuse my french) de ser um referencial para você em termos de textos, pois você é um cara que me viu começando aqui. E isso não apenas me deixa muito orgulhoso dos meus textos, como de mim. Como eu disse, apesar do contato ser pouco (por minha causa) atualmente, nunca nos distanciamos de verdade.
O respeito e a admiração (mútuos), além da amizade continuaram sempre aqui, esculpidos em pedra. Me orgulho dos meus textos e de tudo que consegui com o blog, mas me orgulho muito de poder chamar você de amigo.
Um puta abraço, hoje e sempre.
Rob
Desde quando eu comecei a ler o blog do Rob, comecei a espiar este aqui. O que me chamou a atenção, de cara, foi o nome, muito criativo por sinal. Não lembro se comentei alguma vez, mas lá por 2007, eu sempre passava e lia alguma coisa. Sentia inveja (e ainda sinto) dessa amizade bem evidente que eu lia nos comentários do Champ, mesmo que o Rob quase nunca respondesse.
Depois desse texto, e do comentário acima, só tenho a dizer que minha inveja aumentou, e muito. Mas não aquela inveja de quem deseja que o Gilgomex morra =P pra que eu tenha essa amizade com o Rob. É aquele tipo de inveja de quem pensa "puts, queria uma amizade assim pra mim também!"
Lindos texto e homenagem. Também acompanhei o Rob e o Champ Vinyl desde o quase início, e também, assim como você, tenho ele como um grande incentivo e uma grande inspiração. E também estava sentindo falta dos seus textos. Por isso me emocionei tanto ao ler isso aqui!
Bjs!
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